Documentação

IFRS S1 / S2 e CVM 193

Os padrões IFRS S1 e IFRS S2 do International Sustainability Standards Board (ISSB) estabelecem requisitos globais para divulgação de informações de sustentabilidade. No Brasil, a Resolução CVM 193 tornou sua adoção obrigatória para companhias abertas.

O que são os padrões IFRS ISSB?

O International Sustainability Standards Board (ISSB) foi criado em 2021 pela IFRS Foundation para desenvolver uma base global de padrões de divulgação de sustentabilidade voltados ao mercado de capitais. Os dois primeiros padrões foram publicados em junho de 2023:

  • IFRS S1 — Requisitos Gerais para Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade: estabelece os requisitos gerais que uma entidade deve seguir ao preparar e divulgar informações de sustentabilidade para investidores e outros provedores de capital.
  • IFRS S2 — Divulgações Relacionadas ao Clima: complementa o S1 com requisitos específicos para riscos e oportunidades climáticos, incluindo emissões de GEE, análise de cenários e resiliência climática.

Ambos os padrões são construídos sobre quatro pilares de divulgação — Governança, Estratégia, Gestão de Riscos, e Métricas e Metas — derivados das recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD).

IFRS S1 — Pilares de Divulgação

Toda divulgação de sustentabilidade conforme o IFRS S1 deve abordar estes quatro pilares para cada risco ou oportunidade material identificado pela entidade.

1
Governança

Divulgar os processos, controles e procedimentos de governança que a entidade utiliza para monitorar, gerenciar e supervisionar riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade.

2
Estratégia

Divulgar a estratégia da entidade para lidar com riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que possam afetar seu modelo de negócios, cadeia de valor e condição financeira.

3
Gestão de Riscos

Divulgar os processos que a entidade utiliza para identificar, avaliar, priorizar e monitorar riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade.

4
Métricas e Metas

Divulgar as métricas e metas utilizadas para medir e monitorar o desempenho da entidade em relação a riscos e oportunidades de sustentabilidade.

IFRS S2 — Divulgações Climáticas

Além dos quatro pilares do S1, o IFRS S2 requer divulgações específicas sobre riscos e oportunidades climáticos, incluindo:

Riscos Físicos

Riscos decorrentes dos efeitos físicos das mudanças climáticas — agudos (eventos extremos) e crônicos (alterações de longo prazo).

Riscos de Transição

Riscos decorrentes da transição para uma economia de menor emissão de carbono — políticas, tecnologia, mercado e reputação.

Análise de Cenários

Avaliação da resiliência da estratégia e modelo de negócios da entidade sob diferentes cenários climáticos, incluindo cenário de 1,5°C.

Emissões de GEE

Divulgação de emissões de gases de efeito estufa de Escopo 1, 2 e 3, incluindo metodologias e premissas de cálculo.

Conceitos-Chave

Informações Conectadas

Os relatórios de sustentabilidade devem ser conectados às demonstrações financeiras. Riscos climáticos que afetam ativos, passivos ou fluxo de caixa devem ser referenciados cruzadamente entre os relatórios.

Materialidade

A avaliação de materialidade deve considerar o impacto financeiro dos riscos e oportunidades de sustentabilidade sobre os fluxos de caixa, acesso a financiamento e custo de capital da entidade.

Cadeia de Valor

A divulgação deve considerar riscos e oportunidades em toda a cadeia de valor da entidade — não apenas operações próprias, mas também fornecedores, clientes e ativos financiados.

CVM 193 — Cronograma de Implementação

A Resolução CVM 193, publicada em outubro de 2023, estabelece a adoção progressiva dos padrões IFRS S1 e S2 para companhias abertas no Brasil:

Exercício 2024

Adoção voluntária permitida. Empresas podem publicar relatórios de sustentabilidade alinhados ao ISSB de forma antecipada.

Voluntário

Exercício 2025

Continuidade da adoção voluntária. Período de preparação para as entidades que serão obrigadas a partir de 2026.

Voluntário

Exercício 2026

Início da obrigatoriedade para companhias de maior porte (Categoria A com ações em bolsa ou valores mobiliários de grande distribuição).

Obrigatório

Exercício 2027

Expansão para demais companhias abertas Categoria A.

Obrigatório

Exercício 2028

Extensão para companhias Categoria B e demais entidades reguladas pela CVM.

Obrigatório
Assurance e Verificação

A CVM 193 prevê a evolução progressiva do nível de assurance exigido:

  • Assurance limitada: verificação inicial com escopo reduzido, focada em plausibilidade e consistência interna das informações divulgadas.
  • Assurance razoável: nível mais rigoroso, equivalente à auditoria de demonstrações financeiras, com verificação detalhada de evidências e controles internos.

Independentemente do nível de assurance exigido, a preparação antecipada — com trilha de auditoria, evidências documentadas e controles verificáveis — reduz custos e riscos no momento da verificação externa.